Raízes do Abastecimento

Nos primórdios de Itabuna, antes do advento das redes de distribuição, a população dependia das fontes Antique e Mutucugê para obter água. A fonte Mutucugê, comercializada pela família Hage, era uma das principais fornecedoras. Mesmo após a emancipação política do município em 1910, o sistema permaneceu rudimentar: aguadeiros transportavam água em carotes de madeira, carregados por jegues, pelas ruas da cidade. Foi somente em 1936 que Itabuna viu a instalação de suas primeiras redes de água, seguidas, anos depois, pelas primeiras redes de esgoto, marcando o início da modernização do saneamento.

 

Crescimento e Estruturação

Com o crescimento de Itabuna como polo regional do cacau, a demanda por infraestrutura de saneamento aumentou. Em 1960, a Prefeitura expandiu o sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário, com um projeto elaborado pela Fundação SESP. Em 15 de setembro de 1966, um convênio com o Departamento de Engenharia Sanitária do Estado da Bahia (Deseb), assinado pela prefeita interina Namir Oliveira Mangabeira e Silva, fortaleceu os serviços. No ano seguinte, o Decreto 2.060, promulgado pelo prefeito José de Almeida Alcântara, regulamentou oficialmente o abastecimento de água e esgoto.

Em 1968, um novo convênio com a Superintendência de Engenharia Sanitária do Estado da Bahia (Seseb) ampliou os investimentos. O marco de 1970 trouxe avanços significativos: durante a gestão do governador Luiz Viana Filho e do prefeito Fernando Cordier, foi construída a primeira Estação de Tratamento de Água (ETA), acompanhada da expansão das redes de água e esgoto. Em 1975, o Plano Nacional de Saneamento (Planasa), uma iniciativa do governo federal, beneficiou Itabuna com mais recursos, sob a administração do governador Roberto Santos e do prefeito José Oduque. Outro período notável foi o mandato do prefeito Ubaldo Dantas (1982-1988), que priorizou a macrodrenagem, com serviços geridos pela Embasa.

 

A Era da Embasa

Em 11 de novembro de 1971, a Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A. (Embasa) assumiu as operações da Seseb, conforme a Lei 926, na gestão do prefeito Simão Fiterman. Um termo aditivo de re-ratificação transferiu a concessão dos serviços de água e esgoto para a Embasa, com isenção de tributos municipais e autorização para o município participar do capital social da empresa. Esse período consolidou a gestão estadual do saneamento em Itabuna, que duraria até o final dos anos 1980.

 

 

O Surgimento da Emasa

Em 1987, durante a gestão do governador Waldir Pires, iniciou-se o movimento pela municipalização dos serviços de água e esgoto. Com a posse de Nilo Coelho, após a renúncia de Pires, o processo ganhou impulso. Em agosto de 1989, foi criada a Empresa Municipal de Águas e Saneamento S.A. (Emasa), marcando uma nova era para Itabuna. A Emasa assumiu a gestão local dos serviços, trazendo maior autonomia ao município.

No primeiro mandato do prefeito Geraldo Simões (1993-1996), a rede de esgotamento sanitário foi significativamente ampliada. Antes, menos de 30% da população tinha acesso à rede de esgoto; ao final do governo, mais de 60% da cidade estava coberta, beneficiando cerca de 45 mil pessoas. O abastecimento de água também avançou, com a extensão de redes para bairros como Nova Califórnia, Santa Clara, Vale do Sol, Maria Pinheiro e Alto do Novo São Caetano. Foram construídos mais de 35 mil metros de rede de distribuição, elevando a cobertura de água potável de 90% para 93% da população. A construção da Estação Elevatória em Castelo Novo, concluída com recursos municipais ao custo de R$ 500 mil, garantiu o abastecimento durante períodos de estiagem.

 

Emasa: Uma Nova Visão

Em 2001 a Empresa Municipal de Águas e Saneamento se transforma em Empresa Municipal de Saneamento Ambiental – EMASA, mantendo a condição de empresa de economia mista, com maioria das ações pertencentes ao Poder público (98%).

Com a nova denominação, a EMASA assumiu a gestão da Política Municipal de Saneamento Ambiental, relativa à conservação dos recursos hídricos: abastecimento de água, afastamento e tratamento de esgotos sanitários, drenagem urbana, limpeza de vias, logradouros e coleta, transporte e disposição final dos resíduos sólidos e orgânicos.

Neste período foi instituída a cobrança da Taxa de Limpeza Pública (TLP), também conhecida como Taxa do Lixo, na conta de água. Houve muitos protestos por parte da população e a Lei que instituiu a TLP, foi revogada e a EMASA voltou a ter a denominação antiga, com atribuições voltadas a captação, tratamento e distribuição de água e coleta e tratamento do sistema de esgotamento sanitário.